Sensores e big data orientarão produtor rural

15th December 2017
Source: FAPESP
Posted By : Enaie Azambuja
Sensores e big data orientarão produtor rural

Existe uma anedota repetida pelos pesquisadores da área de e-agriculture. Ela afirma que, há alguns anos, os agricultores diziam aos filhos que deveriam estudar se quisessem deixar o campo e ir para a cidade. Agora, prossegue a anedota, o conselho mudou: os filhos precisam estudar para poderem continuar no campo. Mudanças estão em curso: não só na produção, mas também na gestão. Com a junção de big data e Internet das Coisas, plantas e animais serão os sinalizadores da tomada de decisão do produtor rural.

Isso porque, indo além da “agricultura de precisão”, que utiliza tecnologia da informação para analisar variáveis como clima e solo, passam a contar também os sinais emitidos pelas plantas e animais na tomada de decisão do produtor.

“Não é exagero dizer que, nos próximos 10 anos, teremos a planta e o animal respondendo a cada estímulo no sistema produtivo. As decisões quanto à produção vegetal e ao bem-estar animal serão tomadas a partir de dados coletados por biossensores implantados em cada planta e em cada animal”, disse Iran Oliveira da Silva, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo.

Silva foi um dos palestrantes do Workshop eScience “O Rural na Era Digital”, realizado no auditório da FAPESP, e que teve como eixo examinar mudanças no meio rural provocadas pela adoção da tecnologia da informação.

“No futuro, os animais vão falar e vocês vão se lembrar de mim. Essa capacidade de tomar decisões a partir de sinais emitidos pelos animais já é uma realidade nas pesquisas científicas em vários lugares do mundo. Existem estudos em bioacústica e na vocalização de animais que permitem compreender a expressão do animal a partir da frequência sonora.

Há uma tecnologia belga que possibilita que o veterinário tenha, a partir da captação do som ambiente, a informação de se parte do rebanho está com doenças como diarreia ou tuberculose, por exemplo. Tudo com menos de 1% de erros”, afirmou.

No workshop, pesquisadores de instituições do Estado de São Paulo discutiram as possibilidades futuras da produção agrícola no Brasil. Tudo em um cenário em que será comum ver campos de soja, lavouras de café e criadouros de frangos e boi repletos de sensores, que produzirão dados e informações sobre a necessidade de maior irrigação, ventilação, alterações no solo ou administração de medicamentos.

“Além de sensores e chips e do uso de biomarcadores, existe uma tendência forte de adoção de microdrones, como uma espécie de mosquitinho com câmeras e sensores. Além de coletarem milhares de dados, os microdrones também podem fazer polinização”, destacou Jansle Vieira Rocha, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (Feagri/Unicamp).

Rocha acredita que, principalmente em cenários de grandes transformações, como o da produção agrícola, há espaço para fazer futurologia. “Precisamos pensar para a frente, em inovações.

Temos que aproveitar seminários e encontros como este não só para mostrar os resultados acadêmicos, mas também para pensar em soluções de problemas que ainda não temos”, enfatizou.

Ele afirma que a agricultura brasileira é vanguarda em uma série de domínios, como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta, que já conta com 11,5 bilhões de hectares no país, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Muito do nosso sucesso tem como base a pesquisa científica apoiada pela Embrapa, mas na parte de informações (tecnologia de sensores e de imagens) ainda estamos correndo atrás do que existe lá fora”, disse.

Uma das questões centrais da e-agriculture é fazer com que vários tipos de dados gerados continuamente por sensores em plantas, animais, caminhões e máquinas possam ser combinados com dados climáticos e de produção para assim se transformarem em informação relevante para o produtor rural.

“Estas são discussões típicas da chamada e-science, que permite que pesquisadores associados à pesquisa em computação possam dialogar e entender os problemas de outra área da ciência. É importante garantir esse diálogo”, ponderou Claudia Bauzer Medeiros, coordenadora-adjunta do Programa FAPESP de Pesquisa em eScience e Data Science e organizadora do workshop.

Para os pesquisadores que participaram do evento, para que a e-agriculture se torne realidade é preciso apostar na multidisciplinaridade.


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