Técnica computacional usa rede social para monitorar enchentes

29th June 2018
Posted By : Enaie Azambuja
Técnica computacional usa rede social para monitorar enchentes

O potencial das redes sociais vai muito além dos relacionamentos interpessoais. Entre outros usos, elas podem ajudar a monitorar e até mesmo prever catástrofes ambientais. Foi com esse propósito que uma equipe de cinco pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, criou uma técnica computacional capaz de entender como publicações no Twitter conseguem representar fenômenos naturais, no caso, chuvas e enchentes.

Liderada pelo professor João Porto de Albuquerque, a equipe tem como principal objetivo amplificar as áreas de monitoramento, para, no futuro, conseguir prever acidentes.

Durante as pesquisas, foram analisados quase 16 milhões de 'tuítes' – o que permitiu descobrir que esse tipo de análise de dados pode ser usado como método de prevenção e melhorar os sistemas de alertas já existentes, como é o caso das notificações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Climatempo.

As análises de dados foram feitas em dois momentos, em relação à cidade de São Paulo. Inicialmente, houve a publicação de um artigo científico que analisava tuítes referentes ao mês de janeiro de 2016. Em um segundo artigo, foi analisado o mesmo período acrescido de informações de novembro do mesmo ano até fevereiro de 2017.

De acordo com Sidgley Camargo de Andrade, doutorando do ICMC e um dos pesquisadores do projeto, o monitoramento das chuvas é feito por pluviômetros, radares meteorológicos e satélites. Por serem de alto custo, esses instrumentos possuem limitações em sua cobertura espacial. Além disso, a manutenção desses sensores físicos tem de ser regular.

“Hoje existem cerca de cinco mil desses sensores no Brasil. Em São Carlos, existem três, mas só um funciona. Se chover forte em alguns desses pontos onde os sensores estão quebrados, não há informação a ser registrada. Então, é vantajoso monitorar dados de publicações do Twitter”, esclarece Andrade. Ele também explica que as pessoas publicam de vários lugares, portanto, o monitoramento humano é feito de forma distribuída – e tudo isso com um custo baixíssimo.

Um dos desafios do projeto é encontrar uma correlação de dados entre os sensores físicos e os sensores humanos, já que eles são estimulados de formas diferentes. Ou seja, a principal dificuldade é conseguir transformar os dados qualitativos de um tuíte em dados quantitativos – para isso, os pesquisadores tiveram que criar critérios de avaliação.

Um dos critérios utilizados é a frequência de palavras-chaves como chuva e tempestade. Um outro critério são as ponderações de regiões. Ou seja, notou-se que regiões centrais 'tuitavam' mais do que regiões periféricas, o que aumentava o volume de dados.

Com os estudos dessa relação entres os dados dos sensores, foi possível descobrir também que existe um tempo de reação de ambos em relação ao fenômeno, que pode variar de 10 minutos antes do acontecimento até 10 minutos depois.

“As pessoas costumam publicar suas expectativas em relação ao clima, então, elas podem postar que o tempo está fechando, por exemplo, e esse mecanismo ajuda a identificar possíveis indícios de que algo vai acontecer”, explica Andrade.


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