Laboratório desenvolve simulador naval de alta definição

Posted By : Enaie Azambuja
Laboratório desenvolve simulador naval de alta definição

O Tanque de Provas Numérico (TPN), laboratório de pesquisas e testes da Escola Politécnica (Poli) da USP, desenvolveu um novo simulador naval que servirá também para apoiar as operações da indústria de petróleo. Com telas 4K, que vão até o chão da cabine de comando, ele conta com um cluster gráfico que gera imagens em altíssima resolução, possibilitando que os usuários ‘enxerguem’ pequenos detalhes, como boias e postes de sinalização, a uma grande distância.

O TNP é um laboratório que integra os testes físicos com os testes em computador, por meio de um simulador numérico capaz de representar matematicamente condições idênticas às geradas em um tanque físico, sem restrições dimensionais.

Inaugurado em 2010, o laboratório brasileiro é uma referência na área, e foi criado com o objetivo de auxiliar a Petrobras a solucionar os desafios tecnológicos na exploração de petróleo e gás na camada do pré-sal.

Os trabalhos realizados no TNP são reconhecidos internacionalmente e ajudaram o laboratório a entrar para a International Towing Tank Conference (ITTC), uma renomada associação de centros de pesquisa em hidrodinâmica

Além de ter a sua infraestrutura elencada entre os tanques e simuladores credenciados, dois docentes da Poli passaram a fazer parte dos comitês do ITTC: o professor Eduardo Aoun Tannuri, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos (PMR), e o professor Pedro Cardozo de Mello, coordenador de projetos e do Calibrador Hidrodinâmico (CH-TPN). Tannuri integra o comitê que trata de pesquisas envolvendo questões de manobrabilidade, enquanto Mello está no comitê sobre modelagem de condições ambientais.

“Sua cabine é bastante flexível, pois pode simular vários tipos de operações, como as de rebocadores offshore [que atuam em alto mar] e portuários e em uma cabine de guindaste offshore realizando transferência de carga de um navio para uma plataforma de petróleo”, explica Eduardo Aoun Tannuri, coordenador do Centro de Simulações Náuticas e Portuárias do TPN.

Segundo Tannuri, o 4K, em conjunto com demais simuladores do TPN, será muito importante para os estudos relacionados às operações no pré-sal. “Porque os poços ficam distantes da costa e há muitas operações para levar e tirar equipamentos e outros insumos da plataforma que demandam o uso de guindastes”, completa.

“Além disso, poderemos simular instalações de equipamentos submarinos com maior realismo. Tudo isso precisa ser simulado para garantir a segurança e eficiência das operações”, acrescenta.

Atualmente, o TPN possui seis simuladores em operação. São quatro de porte médio e dois do tipo full-mission, um com visão de 270 graus, outro, com 360 graus. O Domo (270 graus), é o maior e o principal deles. Utiliza 32 projetores full HD (projetando inclusive no chão) e é ideal para operações em que é necessário visualizar o berço de atracação.

Sua tela de projeção tem 12 metros de diâmetro, dando realismo ainda maior. “Um dos grandes desafios deste projeto foi o software de visualização que desenvolvemos.

Foi um trabalho de enorme complexidade porque precisamos juntar a imagem de 32 projetores para formar o que vemos nas telas. Utilizamos software de realidade virtual, de forma que as pessoas se sentem como se estivessem, de fato, dentro do navio”, conta.

O outro simulador do tipo Full Mission possui 360 graus de ângulo de visão, com 35 telas Full-HD e com ponte de comando frontal e traseira. É ideal para simular navios convencionais ou navios de suporte, que possuem possibilidade de operar com comando traseiro.

Há também os simuladores Part Task 1 e Part Task 2, cada um com oito telas de visualização, e muito usados para simular rebocadores; e o SMH-4D, com uma tela de grandes dimensões e que ainda simula os movimentos do navio no mar por ter uma plataforma móvel.

Segundo Tannuri, no ano que vem será concluído o sétimo simulador, que retratará uma cabine de controle de lastro de plataforma e já está parcialmente montado.

O TPN conta ainda com um centro multimídia, chamado de Debriefing Room, que apresenta uma visão aérea da simulação em tempo real e painel com informações técnicas da manobra (velocidades, comandos rebocadores, leme e ação da hélice) que permite uma descrição completa da manobra cinco minutos após a simulação ter sido concluída.


Leia Mais: Universidade de São Paulo

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