Um orientador para o tratamento de câncer cerebral

11th April 2018
Source: FAPESP
Posted By : Enaie Azambuja
Um orientador para o tratamento de câncer cerebral

 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descreveram na revista Cell Reports um painel de biomarcadores capazes de indicar aos médicos quais pacientes diagnosticados com glioma – um tipo de câncer cerebral – tendem a evoluir para uma forma mais agressiva da doença no caso de recidiva.

De acordo com Houtan Noushmehr, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e coordenador da pesquisa, entre 80% e 90% das pessoas diagnosticadas com câncer no cérebro desenvolvem um segundo tumor após a retirada cirúrgica da lesão original.

Na maioria dos casos, o perfil epigenético das células tumorais se mantém o mesmo, ou seja, a expressão dos genes permanece inalterada, o que sugere um prognóstico favorável, com boa longevidade.

Em 10% dos pacientes que apresentam recidiva tumoral, porém, as células cancerosas adquirem um fenótipo mais agressivo, reduzindo o tempo de sobrevida global do paciente.

“Nosso painel de biomarcadores pode indicar, já no momento do diagnóstico primário [descoberta do primeiro tumor], se o paciente está entre esses 10% que tendem a evoluir para casos mais graves. Esse conhecimento pode orientar o médico a adotar um tratamento mais agressivo, com o objetivo de evitar a progressão da doença”, disse Noushmehr à Agência FAPESP.

Realizado com apoio da FAPESP durante o pós-doutorado de Camila Ferreira de Souza – com parte conduzida no Hospital Henry Ford, nos Estados Unidos, com Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior –, o trabalho se baseou na análise de 200 amostras de glioma, um tipo de câncer que se origina nas células gliais (astrócitos, oligodendrócitos e micróglias), cujo papel é mediar respostas imunes no sistema nervoso central e dar suporte ao funcionamento dos neurônios.

Os gliomas constituem o conjunto de tumores mais comuns no sistema nervoso central, cerca de 80% dos casos, com taxa de mortalidade em torno de 92%. O grau histopatológico de agressividade (baseado em características do tecido) pode variar de 1 a 4, sendo que quanto mais alto é o número, pior é o prognóstico.

“Analisamos amostras de 77 pacientes – tanto do tumor primário quanto da primeira, segunda ou até terceira recidiva, em alguns casos. Trata-se da maior casuística de gliomas primários e recorrentes provenientes dos mesmos pacientes já estudada”, disse Noushmehr.

Parte das amostras avaliadas foi coletada de pacientes atendidos na USP, em Ribeirão Preto, e no Hospital Henry Ford. Os demais dados analisados foram obtidos a partir de estudos publicados nos últimos três anos.

As amostras foram estudadas com foco nos mecanismos epigenéticos – conjunto de processos químicos que modulam o funcionamento do genoma (permitindo sua adaptação a estímulos ambientais) e, consequentemente, o perfil fenotípico das células, por meio da ativação ou desativação da expressão de genes.

Neste estudo, mais precisamente, o grupo optou por estudar um mecanismo específico de regulação epigenética conhecido como metilação do DNA, que corresponde à adição de um grupo metila (formado de átomos de hidrogênio e carbono) à base citosina do DNA – fenômeno que pode alterar a expressão de alguns genes.

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